O que é tráfego pago e como saber se vale antes de gastar
Tráfego pago é a visita ao seu site, ao seu perfil ou ao seu WhatsApp que chega por um anúncio pago: na busca do Google, no Instagram, no Facebook, no YouTube ou no TikTok. Você paga à plataforma para aparecer. Na busca do Google, normalmente paga quando alguém clica; no Instagram e no Facebook, normalmente paga pelas vezes que o anúncio é exibido. O contrário é o tráfego orgânico, que chega sem anúncio: pela busca gratuita, por indicação, pelos seus posts.
A diferença que quase ninguém explica para quem está começando é esta: no Google, o anúncio aparece para quem digitou o que você vende (intenção); no Instagram, aparece para quem estava vendo outra coisa (interrupção). Um não é melhor que o outro, mas confundir os dois é o jeito mais comum de gastar e não vender. E tráfego pago não é mágica nem segredo de curso: é uma conta, o custo de cada contato contra o quanto vale um cliente, que dá para fazer antes de gastar o primeiro real. Este guia mostra essa conta, o que esperar nos primeiros 30 dias e os sinais de que o dinheiro está indo embora.
Tráfego pago e tráfego orgânico: qual a diferença?
O tráfego pago chega porque você pagou para aparecer; o orgânico chega sem anúncio. Os dois levam gente até você, mas funcionam em ritmos diferentes.
| Tráfego orgânico | Tráfego pago | |
|---|---|---|
| Como chega | busca gratuita, indicação, posts, Perfil da Empresa no Google | anúncio no Google, no Instagram, no Facebook, no YouTube |
| Quanto custa | tempo e trabalho, sem custo por clique | você paga pelo clique ou pelas exibições do anúncio |
| Velocidade | demora meses para crescer | começa no dia em que o anúncio é aprovado |
| Controle | depende do algoritmo e do boca a boca | você escolhe onde aparece, para quem e quanto gasta |
| Quando para | continua trazendo gente por um tempo | parou de pagar, parou de aparecer |
Você não está sozinho nessa escolha. Quase metade dos pequenos negócios brasileiros, 48%, já pagou para fazer propaganda nas redes sociais ou em outros canais da internet, segundo a 9ª Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios do Sebrae, feita de novembro a dezembro de 2024 (Agência Sebrae, fevereiro de 2025). Entre as micro e pequenas empresas, são 59%; entre os MEIs, 39%. E os canais que eles mais usam para vender continuam sendo o WhatsApp, citado por 82%, e o Instagram, por 57%, pela 12ª edição da mesma pesquisa, de fevereiro e março de 2026 (Agência Sebrae, abril de 2026).
Um não substitui o outro. O orgânico é a base: um site que responde as dúvidas do cliente, posts com frequência e o Perfil da Empresa no Google, que é gratuito e aparece na busca e no Maps. O pago acelera e dá previsibilidade: você define quanto quer gastar e começa a aparecer no mesmo dia.
Onde o anúncio pago aparece?
O que muda de um lugar para outro é o que a pessoa estava fazendo quando viu o seu anúncio:
- Busca do Google: o anúncio aparece no meio dos resultados para quem digitou o que você vende, como "dentista de urgência" ou "conserto de geladeira". É o mais perto da compra.
- Instagram, Facebook e TikTok: o anúncio aparece no feed, nos stories e nos vídeos curtos, para quem estava vendo outra coisa. É bom para fazer o produto ser conhecido.
- YouTube e sites parceiros do Google (a Rede de Display): vídeo antes do vídeo, banner no site de notícia e no aplicativo. Alcança muita gente, com pouca intenção de compra.
Intenção ou interrupção: onde anunciar primeiro?
Se o seu cliente sai procurando o que você vende, comece pela busca do Google. Se ele ainda não sabe que precisa de você, comece onde ele passa o tempo.
Pense em duas cenas. São dez da noite e o cano da pia estourou. A pessoa pega o celular e digita "desentupidora 24 horas" com o nome do bairro. Ela não precisa ser convencida de que tem um problema: precisa escolher quem chamar, e rápido. O anúncio que aparece ali só tem de responder melhor que o concorrente do lado.
Agora pense numa loja de velas aromáticas. Ninguém acorda pensando "preciso de uma vela de lavanda". O anúncio no feed mostra a vela para quem estava vendo um vídeo de decoração e cria a vontade que não existia. É outro trabalho, que pede foto bonita, frequência e paciência.
| Busca do Google (intenção) | Instagram e Facebook (interrupção) | |
|---|---|---|
| Quem vê o anúncio | quem digitou o que você vende | quem estava vendo outra coisa |
| O que o anúncio precisa fazer | responder melhor que o concorrente do lado | parar o dedo e criar a vontade |
| Como você paga | normalmente por clique; aparecer sem clique não custa | normalmente por exibição, a menos que você escolha outra coisa ao criar |
| Onde o dinheiro vaza | buscas de quem quer outra coisa: vaga de emprego, curso, "como fazer sozinho" | curtida e alcance de quem nunca vai comprar |
| Bom para | necessidade agora: conserto, consulta, orçamento, serviço que se procura pelo nome | produto novo, produto bonito de ver, promoção para quem já conhece você |
| O que medir | contatos: formulário enviado, toque no WhatsApp, ligação | mensagens recebidas e vendas, e não curtidas |
| O que pede de você | limpar as buscas erradas e medir os contatos | foto ou vídeo bom, com frequência |
Um negócio pode, e muitas vezes deve, usar os dois. Só não ao mesmo tempo quando a verba é pequena: dividir R$ 20 por dia entre dois lugares deixa cada um sem dinheiro para mostrar resultado.
A intenção também falha: um caso do fórum do Google
Estar no Google não garante que quem clica é cliente. Na Comunidade Google Ads, o fórum oficial do Google em português, alguém que roda uma campanha para um contador contou, em março de 2024, que o anúncio sobre declaração de imposto de renda, numa capital, tinha recebido 210 cliques, com R$ 350 de custo, e só 1 conversão (discussão na Comunidade Google Ads). O próprio autor percebeu o motivo: a maior parte das buscas era sobre o imposto de renda em si, e não sobre um profissional para fazer a declaração.
Quem busca "como declarar imposto de renda" quer fazer sozinho. Quem busca "contador para declarar imposto de renda" quer contratar. As duas pessoas estão no Google, as duas têm intenção, mas só uma é cliente. No Google você não paga por interrupção, mas paga pela intenção errada se deixar essas buscas passarem. É para isso que servem as palavras negativas: elas avisam o Google para não mostrar o anúncio numa busca que não é de cliente.
Impulsionar post é tráfego pago?
Sim. A própria Meta explica que o post turbinado (o famoso "impulsionar") é um anúncio, porque precisa de orçamento para chegar a mais gente, e aparece como anúncio na fatura (A diferença entre posts turbinados e anúncios da Meta).
O que pouca gente lê é o trecho seguinte da mesma página: a Meta diz que um post turbinado pode ser otimizado, de início, para comentários, compartilhamentos e curtidas, ou para tornar a marca conhecida. Quem impulsiona e recebe só curtidas não foi enganado pelo botão. O botão fez o que foi feito para fazer.
Se o objetivo é cliente, escolha uma meta que chegue mais perto dele, como receber mais mensagens ou mais visitantes no site, e conte mensagens, e não curtidas. Para objetivos como leads e vendas, a Meta indica o Gerenciador de Anúncios, que tem mais opções que o botão. A comparação completa está em impulsionar post no Instagram não é anunciar.
Como o tráfego pago é cobrado?
Na busca do Google, você paga quando alguém clica. Em cada busca, o Google faz um leilão: olha o seu lance (quanto você topa pagar pelo clique) e a qualidade do seu anúncio naquele momento, que inclui a chance de a pessoa clicar, o quanto o anúncio combina com a busca e como é a página que ele abre (Sobre a classificação do anúncio). Como a qualidade entra na conta, não é só quem paga mais que aparece em cima.
E você não paga o seu lance inteiro. Paga o mínimo necessário para ficar à frente do anunciante logo abaixo de você, quase sempre menos do que o lance; com lance manual, nunca mais do que o lance máximo (Custo real por clique).
Nos anúncios da Meta, no Instagram e no Facebook, também existe leilão, mas a cobrança normalmente é pelo número de impressões, que são as vezes que o anúncio aparece, a menos que você escolha outra forma ao criar o anúncio (Como a Meta cobra pelos anúncios). Por isso, no Instagram, o anúncio que ninguém clica também custa.
Nos dois, você define um orçamento. No Google, ele é diário e médio: num dia forte pode gastar até o dobro, mas no mês a cobrança não passa de 30,4 vezes o valor do dia (com R$ 20 por dia, R$ 608). A conta completa está em quanto custa anunciar no Google.
Por que o custo por clique subiu?
Porque o preço do clique sai de um leilão: quando mais gente disputa a mesma busca, ou quando os concorrentes sobem o lance, o clique fica mais caro. A Ajuda do Google aponta dois motivos comuns para o custo subir sem os cliques acompanharem: o mercado ficou mais caro, com a concorrência aumentando os lances, e a queda do Índice de qualidade das suas palavras-chave (Problemas com cliques e com a taxa de cliques).
E a tendência dos últimos anos é de alta. No levantamento da WordStream (da LocaliQ, empresa de marketing dos Estados Unidos) com 16.446 campanhas de busca de anunciantes americanos, de abril de 2024 a março de 2025, o custo por clique subiu em 87% dos setores, e a média subiu 12,88%, para US$ 5,26 (WordStream, 2025). No levantamento anterior, tinha subido em 86% dos setores. Na edição de 2026, a média foi a US$ 5,42, mas o custo por contato (o "custo por lead" do relatório) caiu pela primeira vez em cinco anos, para US$ 66,69, junto com a alta da taxa de conversão, que passou de 7,52% para 8,18% (LocaliQ, 2026).
São números dos Estados Unidos, em dólar: não converta para real. Eles mostram a direção, e uma lição. Um clique mais caro que traz mais contatos pode sair mais barato no fim. Por isso, quando o clique subir:
- Olhe o custo por contato, e não só o do clique.
- Corte as buscas que gastam sem trazer cliente. Elas encarecem tudo.
- Confira o Índice de qualidade das palavras-chave principais. Ele vai de 1 a 10 e funciona como um termômetro: o Google diz que ele não entra no leilão, mas mostra se o anúncio e a página estão combinando com a busca (Sobre o Índice de qualidade).
- Veja se não é época. Datas de muita procura, como fim de ano ou volta às aulas, mexem no preço do seu ramo.
O preço da sua busca, na sua cidade, está no Planejador de Palavras-chave, que é gratuito.
Quanto investir em tráfego pago por dia no começo?
No Google não existe valor mínimo. O valor certo para começar é o que você consegue manter por 30 dias seguidos sem apertar o caixa, num canal só: pense no que cabe no mês e divida por 30,4 para achar o valor do dia. O próprio Google recomenda separar um orçamento só para o marketing on-line e lembra que investimento bom demora um pouco para mostrar retorno (Como usar o Google Ads para marketing on-line).
Três regras valem mais do que o valor em si:
- 30 dias com o mesmo valor. Quem para na segunda semana não fica sabendo se funciona.
- Um canal de cada vez. Verba pequena dividida não dá número para decidir nada.
- Um produto e só as cidades que você atende. Quem tenta aparecer para tudo, em todo lugar, aparece pouco em cada um.
A conta que diz se vale, antes de gastar o primeiro real
Tráfego pago vale a pena quando cada contato custa menos do que você pode pagar por ele. Esse "pode pagar" sai de dois números que só você tem. Pegue papel e caneta:
- Quanto lucro deixa um cliente novo? Lucro, e não o preço de venda. Se o serviço custa R$ 300 e sobram R$ 180 depois de material e mão de obra, o número é R$ 180.
- De cada quantos contatos você fecha um? Se não sabe, conte os últimos 10 que chamaram você, por qualquer canal.
- O seu teto por contato = lucro do cliente ÷ contatos por venda. Com R$ 180 de lucro e 1 venda a cada 2 contatos, o teto é R$ 90.
- O custo por contato estimado = preço do clique ÷ a parte de quem clica e chama você. Sem histórico, use 4% (de cada 100 cliques, 4 chamam): é cerca de metade da média de 8,18% medida pela LocaliQ em 2026, nos Estados Unidos, e deixa a conta conservadora. Dividir por 4% é o mesmo que multiplicar por 25. O preço do clique sai do Planejador de Palavras-chave: use o lance mais baixo da faixa.
Se o estimado fica abaixo do teto, a conta fecha. A lógica é a mesma do exemplo da própria Ajuda do Google Ads: uma loja que lucra R$ 10 por venda e vende para 1 em cada 10 visitantes empata com o clique a R$ 1; para lucrar, o clique precisa sair por menos que isso (Escolher um valor de lance ideal para você).
Veja a conta em três negócios imaginários, com números redondos só para mostrar o raciocínio:
| Negócio (exemplo hipotético) | Lucro por cliente | Fecha 1 a cada | Teto por contato | Preço do clique | Custo por contato estimado | A conta fecha? |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Desentupidora | R$ 180 | 2 contatos | R$ 90 | R$ 3,00 | R$ 75 | Fecha, com pouca folga |
| Escola de idiomas (um semestre) | R$ 900 | 5 contatos | R$ 180 | R$ 4,50 | R$ 112,50 | Fecha |
| Doceria (bolo de aniversário) | R$ 40 | 3 contatos | R$ 13,33 | R$ 1,20 | R$ 30 | Não fecha na primeira compra |
A doceria não precisa desistir. A conta pode fechar se o cliente volta todo ano, ou se o anúncio mirar um pedido maior, como bolo de casamento. Se não fecha de jeito nenhum, a busca do Google não é o primeiro canal dela: um produto bonito de ver costuma render mais no Instagram, com a meta certa.
Repare também no que a tabela não tem: a verba. Nessa conta, o custo por contato depende do preço do clique e da parte de quem chama, e não de quanto você gasta por dia. Mais verba traz mais contatos, mas cada um custa o mesmo. Se a conta não fecha com R$ 20 por dia, subir para R$ 200 não resolve: só multiplica o prejuízo.
Tráfego pago para iniciantes: os primeiros 30 dias
O primeiro mês serve para aprender, e não para julgar. Na busca do Google, ele costuma seguir este ritmo:
| Quando | O que acontece | O que você faz |
|---|---|---|
| Dia 1 | o anúncio passa pela revisão do Google, que na maioria dos casos leva até um dia útil (Sobre o processo de revisão de anúncios) | faça o caminho do cliente: abra a página do anúncio no celular e toque no botão de WhatsApp |
| Semana 1 | chegam os primeiros cliques e as primeiras buscas que não têm nada a ver com você | abra a lista das buscas e bloqueie as de quem não é cliente |
| Semanas 2 e 3 | aparecem os primeiros contatos; os números sobem e descem de um dia para o outro | não mude tudo de uma vez e responda rápido quem chamar |
| Semana 4 | já existe número para a primeira conta de verdade | compare o custo por contato real com o seu teto |
A lista de buscas da semana 1 é o relatório de termos de pesquisa, que mostra o que as pessoas digitaram de verdade antes de clicar (Sobre o relatório de termos de pesquisa). No Admaner, essa limpeza começa no 2º dia no ar: ele bloqueia só as buscas de quem claramente não é cliente e mostra, em "Ações do Admaner", o que bloqueou e por quê.
Nas semanas 2 e 3, paciência tem motivo técnico. Quando a campanha usa um lance automático voltado a conversões, o Google avisa que a estratégia pode levar até 50 conversões ou 3 ciclos de conversão (o tempo entre o clique e o contato) para se ajustar (Duração do período de aprendizado das campanhas). E diz que não convém avaliar o desempenho antes desse período de aprendizado terminar, e que criar a estratégia de novo ou mudar as configurações dela coloca a campanha de volta nesse aprendizado (Sobre os status da estratégia de lances). Mexer em tudo toda semana é pagar para o Google aprender de novo.
No fim do mês, três saídas possíveis: a conta fechou, e você mantém; ficou perto, e você ajusta a oferta, a página ou as cidades; ficou longe do teto, e você pausa e repensa o canal. As três são resultado. Só não vale aumentar a verba para ver se melhora.
"Gastei R$ 500 e não veio nenhum cliente": o que deu errado?
Depende de quantos cliques os R$ 500 compraram. Antes de concluir que "tráfego pago não funciona", faça esta conta:
- Com o clique a R$ 3, R$ 500 compram cerca de 166 cliques. Se 4% deles chamassem, seriam 6 ou 7 contatos. Com essa taxa, a chance de não vir nenhum contato por puro azar é de cerca de 0,1%; mesmo se a taxa real fosse a metade, 2%, a chance seria de uns 3,5%. Zero contato aqui é sinal de vazamento ou de contato que chegou e ninguém contou.
- Com o clique a R$ 10, os mesmos R$ 500 compram só 50 cliques. Com 4%, zero contato acontece por azar em cerca de 13% das vezes. Aqui, R$ 500 podem ser pouco para concluir qualquer coisa.
O pior cenário é não ter número nenhum. Num fórum de lojistas, em janeiro de 2024, o dono de uma loja virtual contou que tinha gastado cerca de US$ 1.600 num mês, metade no Google e metade no Facebook, sem nenhuma venda (discussão na Shopify Community). O relato não trazia quantos clicaram, quais buscas geraram cliques nem quantas pessoas chegaram ao carrinho. Sem esses números, ninguém consegue achar o problema, nem o próprio dono.
Sinais de que você está jogando dinheiro fora
Responda sim ou não. Cada "sim" é um lugar para olhar antes de pôr mais dinheiro.
- Você comemora curtida, alcance ou clique, mas não sabe quantos contatos o anúncio trouxe.
- O Google Ads mostra zero conversões, mas você sabe que alguém chamou pelo anúncio. A medição está quebrada. Para o Google contar o formulário enviado e o toque no WhatsApp, o código de acompanhamento precisa estar em todas as páginas do seu site.
- Você nunca abriu a lista das buscas que fizeram o anúncio aparecer.
- Muitos cliques e quase nenhum contato. O problema está depois do clique: a página, a oferta ou o botão escondido.
- Muitas exibições e poucos cliques. O problema está no anúncio ou na escolha das buscas.
- A verba pequena está espalhada em dois canais, cinco produtos ou vinte cidades.
- O contato chega e espera horas pela primeira resposta.
- A solução para tudo foi aumentar a verba. Mais verba numa campanha com vazamento só aumenta o vazamento.
Os sinais 4 e 5 vêm de uma regra simples, que até quem trabalha com anúncios usa. Num fórum de marketing local, em agosto de 2025, um profissional que cria campanhas para empresas há anos pediu ajuda com uma que não deslanchava: 660 cliques e 3 conversões (discussão no Local Search Forum). A resposta foi ler o funil: muitas exibições e bons cliques apontam para a página; muitas exibições e poucos cliques apontam para o anúncio.
Curso de tráfego pago vale a pena?
Para quem quer anunciar o próprio negócio, quase nunca o curso caro. O treinamento oficial do Google Ads é gratuito, em português, no Skillshop, a plataforma de cursos do Google, e tem uma trilha só de campanhas na Rede de Pesquisa (Skillshop: treinamento do Google Ads).
Boa parte dos cursos pagos de tráfego ensina uma profissão: virar gestor de tráfego e vender esse serviço para outras empresas. É um objetivo legítimo, mas é outro. O dono de uma oficina não precisa dominar dez tipos de campanha. Precisa entender cinco coisas:
- a diferença entre intenção e interrupção, para escolher o canal;
- ler a lista de buscas e bloquear quem não é cliente;
- contar contatos, e não curtidas;
- fazer a conta do teto por contato;
- esperar 30 dias sem mexer em tudo.
Desconfie de curso que promete faturamento ou "X vezes o investimento", que usa print de painel como prova, que vende o "segredo do algoritmo" ou que não fala de margem nem de medir contato. Tráfego pago não tem segredo escondido. Tem uma conta que precisa fechar e uma lista de buscas que precisa ser limpa toda semana.
Quem faz o tráfego pago: você, um gestor ou uma ferramenta?
Você tem três caminhos, e cada um custa de um jeito.
- Fazer sozinho custa tempo. O Google Ads é poderoso e cheio de opções, e algumas que o próprio Google recomenda, como mostrar o anúncio também para quem só demonstrou interesse na sua região, servem para uns negócios e desperdiçam dinheiro de outros (Segmentar anúncios por localizações geográficas).
- Contratar um gestor de tráfego ou uma agência costuma ser uma taxa mensal fixa ou um percentual da verba. Faça a conta: se você paga mais para quem gerencia do que para os próprios anúncios, ela raramente fecha para quem investe pouco por dia.
- Usar uma ferramenta que faz a gestão. O Admaner faz isso na busca do Google: monta a campanha a partir do seu site, escolhe as palavras-chave nas cidades que você atende, escreve os anúncios e explica cada decisão em português claro. Sem mensalidade: você usa créditos no Admaner, e os cliques são pagos ao Google, pelo saldo na conta do Google Ads.
Qualquer que seja o caminho, cobre os mesmos números: quantos contatos vieram, quanto custou cada um e quais buscas foram bloqueadas. Quem não mostra esses três está pedindo que você confie no escuro.
Tráfego pago funciona para negócio pequeno e local?
Funciona quando três coisas estão no lugar: existe gente procurando o que você vende na sua região, a conta do custo por contato fecha com o seu lucro e você responde rápido quem chama. Se falta uma delas, arrume antes de anunciar.
O negócio local tem uma vantagem que quase ninguém conta. Na busca do Google, você escolhe as cidades onde o anúncio aparece e não paga para aparecer no país inteiro. Uma desentupidora de bairro não precisa aparecer para o Brasil inteiro: precisa aparecer bem para quem está perto e com o cano estourado agora.
Resumo
- Tráfego pago é a visita que chega por anúncio; o orgânico chega sem anúncio. Um é base, o outro acelera.
- Google é intenção: aparece para quem já procura. Instagram é interrupção: cria a vontade em quem estava vendo outra coisa.
- Na busca do Google você paga por clique; na Meta, normalmente por exibição. Impulsionar post é anúncio, e de início ele busca curtida.
- Antes de gastar, faça a conta: lucro do cliente ÷ contatos por venda dá o teto; preço do clique ÷ 4% dá o custo por contato estimado.
- Dê 30 dias com o mesmo valor, num canal, e limpe as buscas erradas desde a primeira semana.
- Meça contatos, e não curtidas nem cliques. Se a conta não fecha, mais verba não resolve.
Dúvidas frequentes
O que é tráfego pago?
É a visita ao seu site, ao seu perfil ou ao seu WhatsApp que chega por um anúncio pago, no Google, no Instagram, no Facebook, no YouTube ou no TikTok. Na busca do Google você normalmente paga quando alguém clica; no Instagram e no Facebook, normalmente pelas vezes que o anúncio aparece.
Qual a diferença entre tráfego pago e tráfego orgânico?
O orgânico chega sem anúncio: pela busca gratuita, por indicação, pelos seus posts e pelo Perfil da Empresa no Google. O pago chega porque você pagou para aparecer. O orgânico é a base e demora para crescer; o pago começa no dia em que o anúncio é aprovado e você controla quanto gasta.
Google ou Instagram: onde anunciar primeiro?
Se o seu cliente sai procurando o que você vende, como conserto, consulta ou orçamento, comece pela busca do Google, onde o anúncio aparece para quem já tem a necessidade. Se ele ainda não sabe que precisa de você, como num produto novo ou bonito de ver, comece pelo Instagram. Com verba pequena, comece por um canal só.
Quanto investir em tráfego pago no começo?
No Google não existe valor mínimo. Escolha um valor que você consiga manter por 30 dias seguidos sem apertar o caixa, num canal, num produto e nas cidades que você atende. Antes, faça a conta do teto: o lucro de um cliente dividido pelo número de contatos que você precisa para fechar uma venda.
Quanto tempo o tráfego pago leva para dar resultado?
O anúncio do Google costuma ser revisado em até um dia útil, e os primeiros cliques chegam logo depois. Para julgar se vale a pena, espere cerca de 30 dias com o mesmo valor: as primeiras semanas servem para limpar as buscas erradas e juntar contatos suficientes para fazer a conta.
Por que impulsionei um post e só vieram curtidas?
Porque o post turbinado, segundo a própria Meta, pode ser otimizado de início para comentários, compartilhamentos e curtidas. Se o objetivo é cliente, escolha uma meta como receber mais mensagens ou mais visitantes no site e meça mensagens e vendas, e não curtidas.
Por que o custo por clique subiu?
O preço do clique sai de um leilão. Quando mais anunciantes disputam a mesma busca ou sobem o lance, o clique fica mais caro; a queda na qualidade do anúncio também pesa. Nos Estados Unidos, o custo por clique subiu em 87% dos setores entre 2024 e 2025, segundo a WordStream. Olhe o custo por contato, e não só o do clique.
Preciso fazer curso para começar com tráfego pago?
Não para começar. O treinamento oficial do Google Ads é gratuito, em português, no Skillshop. Para o dono de um negócio, o que importa é entender intenção e interrupção, ler as buscas que geraram cliques, medir contatos e fazer a conta do custo por contato.
Tráfego pago funciona para negócio pequeno e local?
Funciona quando existe gente procurando o que você vende na sua região, quando a conta do custo por contato fecha com o seu lucro e quando você responde rápido quem chama. Negócio local tem uma vantagem: na busca do Google, escolhe as cidades onde o anúncio aparece e não paga para aparecer no país inteiro.